Alienação Parental: Como Identificar e o Que Fazer?

Entenda os sinais desse comportamento e como a lei protege a criança nesses casos

DIREITO DE FAMÍLIA

Dra. Rejane Martins Advogada Especialista em Violência Doméstica e Direito das Mulheres

8/12/20264 min read

O que é alienação parental?

Alienação parental é quando um dos pais (ou responsável) interfere na formação psicológica da criança, para prejudicar ou romper o vínculo dela com o outro pai ou mãe. Isso está previsto na Lei nº 12.318/2010, que trata especificamente desse tema.

Não se trata de uma briga isolada ou de um comentário mal colocado em um momento de raiva. É um comportamento que, repetido ao longo do tempo, afeta diretamente a relação da criança com o outro genitor.

Quais são os sinais mais comuns de alienação parental?

Alguns comportamentos que podem indicar alienação parental:

  • Falar mal do outro pai ou mãe na frente da criança, de forma recorrente.

  • Dificultar ou impedir o contato, atrasando ou cancelando visitas sem justificativa real.

  • Fazer a criança escolher entre os pais, ou colocá-la no meio de conflitos de adultos.

  • Passar informações falsas sobre o outro genitor, para que a criança desenvolva medo ou rejeição.

  • Comemorar ou incentivar, mesmo que sutilmente, quando a criança demonstra rejeição ao outro pai.

  • Omitir informações importantes, como notas escolares, consultas médicas ou eventos da criança.

Um sinal de alerta importante: quando a criança repete frases ou argumentos "adultos demais" para a idade dela, isso pode indicar que está reproduzindo um discurso implantado por um dos pais.

Não é fácil identificar alienação parental. Às vezes, a rejeição da criança é legítima, por exemplo, quando existe algum comportamento inadequado real por parte do genitor rejeitado. Por isso, é fundamental que a identificação da alienação parental seja feita com cuidado, geralmente com apoio de avaliação psicológica ou social, e não apenas pela percepção de uma das partes.

O que fazer se eu suspeitar de alienação parental?

Se você percebe sinais de alienação parental na relação com seu filho, alguns passos ajudam a lidar melhor com a situação:

  1. Documente os episódios, com datas, mensagens e situações concretas.

  2. Evite reagir com o mesmo tipo de comportamento, como falar mal do outro genitor de volta, o que só prejudica ainda mais a criança.

  3. Busque apoio psicológico, tanto para você quanto, se possível, para a criança.

  4. Procure orientação jurídica, para avaliar se é o caso de formalizar uma denúncia ou pedido judicial

O que a Justiça pode fazer nesses casos?

Quando a alienação parental é levada à Justiça, o juiz pode determinar diversas medidas, conforme a gravidade do caso, como:

  • Acompanhamento psicológico obrigatório para a família.

  • Ampliação da convivência com o genitor prejudicado.

  • Advertência formal ao genitor alienador.

  • Alteração da guarda, em casos mais graves e comprovados.

  • Multa ao genitor que pratica a alienação.

A Justiça costuma agir com cautela, buscando sempre priorizar o bem-estar da criança acima de qualquer punição aos adultos envolvidos.

Como provar a alienação parental?

A prova costuba vir de um conjunto de elementos, e não de um único fato isolado. Entre os mais comuns:

  • Registros de mensagens e conversas.

  • Relatos de terceiros, como professores, familiares ou psicólogos.

  • Avaliação psicológica ou estudo social, determinado pelo juiz.

  • Histórico de descumprimento de acordos de convivência.

Perguntas frequentes sobre alienação parental

Alienação parental é crime? Não é tipificada como crime específico, mas é considerada abuso moral contra a criança e pode gerar diversas consequências civis, incluindo mudança de guarda e multa.

Só a mãe pode praticar alienação parental? Não. A alienação parental pode ser praticada por qualquer um dos pais, ou até por avós e outros familiares com guarda ou convívio próximo da criança.

Meu filho não quer mais me ver, isso já é alienação parental? Não necessariamente. É preciso avaliar o contexto com cuidado, já que a rejeição pode ter outras causas legítimas. Por isso, a avaliação profissional é tão importante.

Posso perder a guarda por praticar alienação parental? Sim, em casos graves e comprovados, a Justiça pode alterar a guarda como forma de proteger o vínculo da criança com o genitor prejudicado.

Conclusão

A alienação parental é um tema delicado, que exige cuidado tanto na identificação quanto na forma de agir diante da suspeita. O mais importante, sempre, é proteger o bem-estar emocional da criança, evitando que ela seja usada como instrumento em conflitos entre os pais.

Se você suspeita estar vivendo uma situação de alienação parental, seja como vítima do afastamento, seja buscando entender melhor a situação da sua família, entre em contato. Vou avaliar seu caso com atenção e te ajudar a encontrar o melhor caminho para proteger o vínculo com o seu filho.

Seu filho começou a evitar o contato com você, repete frases que não parecem ser dele e demonstra uma rejeição que antes não existia? Isso pode ser só uma fase, mas também pode ser um sinal de algo mais sério: a alienação parental. Esse tema mexe com emoções profundas, porque envolve o vínculo mais importante que existe, o de pai ou mãe com o filho. Neste artigo, vou explicar de forma simples o que é alienação parental, como identificar os sinais e o que a lei permite fazer diante disso.

Este site tem caráter informativo e não substitui uma consulta jurídica.

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